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25 de Setembro, 2020 - 13:58
Candidato a vereador em Patrocínio, morre após ser atacado durante live; autor é irmão do prefeito, diz polícia

O candidato a vereador em Patrocínio (MG) Cassio Remis (PSDB) foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira (24) após ser atacado durante uma live.

De acordo com a polícia, o autor do crime é Jorge Marra, irmão do prefeito da cidade.

Antes de morrer, a vítima estava na Avenida João Alves do Nascimento mostrando o processo de revitalização quando alegou na transmissão ao vivo que funcionários da Prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente a uma residência que seria o comitê de campanha do atual prefeito, Deiró Moreira Marra. Nesse momento, o assassino saiu de um veículo, tomou o aparelho da vítima e voltou ao carro.

Segundo o tenente-coronel Salomão Queiroz Caixeta, em seguida Remis foi atrás de Jorge Marra, que se dirigiu à Secretaria de Obras. Na porta do local, o candidato tentou pegar o telefone de volta, mas Marra atirou e fugiu.

Atualmente, Jorge Marra ocupa o cargo de secretário de Obras. Após o crime, a Prefeitura informou que se pronunciaria durante coletiva para a imprensa. Veja abaixo.

Live

A live de Cassio Remis foi postada por volta depois das 15h. Leia abaixo e assista ao vídeo que a vítima publicou em rede social antes de ser morta.

"Boa tarde. Estamos aqui na avenida que está servindo para reforma e, para nossa surpresa, mas não para nossa estranheza, nós nos deparamos desde ontem com um arsenal de funcionários da Prefeitura sendo utilizados para fazer o calçamento de onde possivelmente será o comitê eleitoral do prefeito (...). Isso mesmo, funcionários da Prefeitura, maquinários da Prefeitura, com (...). Agora eu pergunto para vocês moradores dessa avenida, quantos de vocês tiveram a condição de ter esse asfaltamento aqui. Ninguém. Aqui, agora chegando o secretário para me agredir".

Após o encerramento da transmissão ao vivo, Remis foi atrás de Jorge Marra. Em seguida, o crime ocorreu. Diversas pessoas foram para o local acompanhar o trabalho da polícia.

Cassio Remis

Cassio Remis foi eleito vereador em 2008, e presidente da Câmara em 2013/2014. O político exerceu dois mandatos consecutivos 2009/2012 e 2013/2016.

Coletiva da Prefeitura

Por volta das 17h30, o prefeito de Patrocínio falou com a imprensa e afirmou que ele não teve relação com a discussão entre Cássio e o irmão. Além disso, Deiró Moreira Marra rebateu a crítica feita pelo candidato a vereador durante a live e comentou que já foi providenciada a exoneração de Jorge Marra do cargo de secretário.

Veja abaixo trechos da coletiva:

"Quero inicialmente dizer que nós estamos, de forma muito consternada, com tudo que aconteceu, com dor e com muito pesar que a gente percebe isso. Lamentamos tudo que aconteceu e essa sequência de fatos absolutamente injustificáveis, que culminaram na morte do vereador Cássio Remis por disparo de armas de fogo, infelizmente pelas mãos do meu irmão, Jorge Marra. Esperamos que todos os fatos sejam elucidados e apurados de forma transparente pelas polícias, com a mais absoluta isenção de tudo isso. É um fato que choca todos nós. Digo aqui que todas minhas diferenças de campo político sempre foram resolvidas através do debate, jamais tive qualquer atitude fora desse campo. Infelizmente não conheço e não sei de nenhum fato e de nenhuma ação que culminou nessa tragédia, mas posso aqui externar minhas condolências à família do vereador Cássio Remis. Em consideração ao posto que ele ocupou e sua trajetória estamos decretando luto oficial por três dias", disse aos jornalistas.

Acusação durante a live

"Reformar os passeios é uma questão trivial, não tem nada a ver", frisou o prefeito em entrevista. Deiró disse que o ex-vereador era adversário dele e fez várias acusações, "todas infundadas". "Mas nós transformávamos isso no debate político", ressaltou.

Possível suicídio do irmão

Após o crime, Jorge Marra fugiu. A princípio houve a informação de que ele tinha se matado. Sobre o assunto, Deiró disse que não está ciente. "Eu não sei disso, não tenho contato com ele. Despachei com ele aqui por volta de 13h30/14h. Despachamos coisas da secretaria. É fake news", afirmou.

Deiró também disse que não tem notícias nem do paradeiro do irmão, mas disse que acredita que ele possa fazer a defesa dele. "Este é um governo de tranquilidade e de diálogo, então um caso desse nos deixa fora, mas estamos confiando na Polícia Civil e Militar para apurar as nuances. Tem muito mais para ser esclarecido nesse momento", comentou.

À TV Integração, a polícia informou que o autor é considerado fugitivo.

Exoneração

O prefeito informou que a partir desta sexta-feira (25) será dado andamento à exoneração do secretário de Obras. "Estamos promovendo de imediato", frisou.

Crime

Ainda com relação ao crime, o prefeito pediu que a Justiça possa apurar todas o fato. "É uma tragédia, não tem e nunca terá minha aprovação. Isso não tem campo político nenhum para ser para ser explorado. As consequências que culminaram nessa discussão será elucidada. Quero tranquilizar a população que a gente não participa dessas atitudes", destacou.

"Esperamos do fundo do coração que Deus possa dar muita paz e tranquilidade para nossas famílias, em especial tanto a nossa quanto a do ex-vereador, que possam ter tranquilidade para superar tudo isso. É uma tragédia. Decretei luto oficial", acrescentou.

Trabalho na Prefeitura

Na ocasião, o prefeito também disse que não acredita que a situação possa afetar a continuidade do trabalho dele na cidade. "Quem conhece o Deiró sabe que tenho uma tranquilidade pessoal muito grande, fui por várias vezes", concluiu.


Fonte: G1
25 de Setembro, 2020 - 13:51
Quatro prefeitos e ex-deputado de RO são presos pela PF em operação

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado de Rondônia (MP-RO) iniciaram, nesta sexta-feira (25), a Operação Reciclagem para apurar crimes contra a Administração Pública.

Quatro prefeitos e um ex-deputado estadual foram alvos de mandados de prisão preventiva, segundo a polícia.

Os prefeitos presos são:

Gislaine Clemente (a Lebrinha, filha do deputado estadual Lebrão) - prefeita de São Francisco do Guaporé;

Luiz Ademir Schock (o Luizão do Trento) - prefeito de Rolim de Moura;

Marcito Aparecido Pinto - prefeito de Ji-Paraná (2ª maior cidade de Rondônia);

Glaucione Maria Rodrigues Neri - prefeita de Cacoal (5ª cidade mais populosa do estado);

O ex-deputado investigado é Daniel Neri, marido da prefeita Glaucione. Daniel também foi preso preventivamente e deve ser ouvido na sede da PF de Ji-Paraná.

À Rede Amazônica, os advogados dos prefeito de Ji-Paraná e São Francisco do Guaporé informaram que não vão se posicionar sobre a operação. O G1 tentou contato com os demais investigados, mas não obteve retorno até a última atualização dessa reportagem.

O prefeito Marcito, de Ji-Paraná, foi preso na sede da administração municipal, o palácio Urupá. Ele foi levado à viatura sem algema (veja na imagem abaixo). Não há detalhes sobre como foram cumpridas as prisões dos outros envolvidos.

Investigação começou no ano passado

Segundo a PF, a investigação começou em dezembro de 2019. A denúncia partiu de um empresário que prestava serviços às prefeituras.

Uma das prefeituras, cujo nome ainda não foi detalhado pela PF, teria condicionado o pagamento de uma dívida com um prestador de serviço ao repasse de propina. Foi esse empresário que decidiu denunciar a fraude e delatou os outros três municípios que, segundo ele, adotavam a mesma prática de corrupção.

A PF diz que imagens de câmeras provaram que os investigados recebiam milhares de reais em dinheiro.

Além dos mandados de prisão, foi determinado o afastamento das funções públicas dos envolvidos e o bloqueio de ativos que ultrapassam R$ 1,5 milhão, valor que, em tese, teria sido recebido de forma ilícita.

Mandados de busca e apreensão

Também foram cumpridos 12 de mandados de busca e apreensão, com 22 equipes e envolvimento de mais de 70 policiais federais nas quatro cidades.

O nome da operação, Reciclagem, faz referência ao ramo de atividades da empresa envolvida no caso e na origem dos recursos ilícitos. O Tribunal de Justiça que cuida do caso decretou sigilo nas investigações.


Fonte: G1
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